É engraçado. Eu costumava gozar com as miúdas que conheci ao longo da minha vida, por serem simples. Por quererem o simples e mais propriamente básico: ser feliz, casar e ter filhos. Continuo a achar isto tão absurdo que já sonhei em casar, ter filhos, e ser feliz com muitos beijinhos e abraços, e essa ideia não me deu vómitos. Pelo contrário, deu-me alegria e esperança, apesar de continuar a ser uma ideia de merda. Eu sonhava em casar, ter filhos bonitos e manchados, e ver o teu sorriso quando dissesses 'sim, Daniela Martins, eu aceito'. É mais: estúpida Daniela Martins dum raio, mas tu andas cega ou quê?
Queria tornar-me simples, como aquelas loucas que entram nas igrejas e reclamam pelo Homem que amam. É engraçado. Eu tornei.me na minha própria piada. Tornei me naquilo que disse que nunca me iria tornar. Meti o meu coração nas mãos de alguém e fiquei a ve-lo queimar-se, lentamente... como se prepara um suicídio. Estou farta desse meu amor de plástico que só cai quando Deus está nos meus olhos e os puxa de tal maneira, que os faz chorar. É engraçado, mas afinal, eu já não quero casar. Não quero viver um sonho e depois ter de acordar, sozinha na cama, como se fosse uma foda mal dada e o outro me tivesse comido a carne de uma maneira violenta, sem ter deixado mensagem ou um papelinho com o número de telefone. Poderia ser um gajo casado, e assim já podia ser a simples puta e reles porca, que não liga a aneis no dedo da verdade.
De facto, é muito engraçado. Esta vidinha ironica, é o sonho de qualquer vaca louca que toma anti-depressivos para dormir.
Tive que descobrir isto caíndo pelos meus próprios passos.
Yup. Life is a bitch.
