domingo, 7 de novembro de 2010

A idade não presta

   Muitas das coisas que dizemos nem sequer importam. As pessoas fazem filmes, depois vem outro realizador e ganham tantos grammy's que se esquecem de voltar aos filmes reais. É a vida. Andamos até estarmos cansados, e quando nos cansamos, deveria existir alguém que nos levasse ao colo e nos beijasse a testa quando fôssemos dormir. São sonhos, fantasias, memórias. Basta fechar os olhos. Todos queremos uma vida fácil e limpa. Queremos orgasmos, sorrir sem motivo, viver sem contar.
Sou uma miúda de 17 anos. Já fechei os olhos tantas vezes que nem sei! nem sei como não ficaram colados de tanto cloreto de sódio e mel. Ninguém sabe. Ninguém sabe como, nem porquê. Não acredito em Deus, mas também não sei se acredito no Destino. Parece uma coisa egoísta alguns terem tudo e outros não terem dinheiro para comprar uma pastilha. Parece-me egoísta um ser tão inteligente como o Ser Humano já nascer destinado a ter um BMW ou a fumar ganzas no quintal da Fonte-Da-Telha. Tenho que aprender a calar-me, a minha boca é um alvo de problemas, é uma bala transformada numa rosa, mas ainda com espinhos.
Meu Deus, fascinem-me! Façam-me perder a cabeça e bater com ela tantas vezes na imaginação, até que o meu corpo estremeça e liberte aquela energia.
Poderia ser tudo uma poesia lírica de fazer inveja, mas não sou Camões nem consigo revolucionar o Mundo. Sou eu, eu eu e eu, com os meus versos imperfeitos mas perfeitamente alinhados.
Quero revolucionar-me. Fazer girar o meu corpo, até ficar enjoada, mas feliz. Quero dançar a noite toda, nua, sem mais ninguém. Irei precisar da minha mala bem perto, mas a alma vai ficar tão quente que o meu cérebro irá explodir em emoções violetas e lábios carnudos, e o saquinho deve logo ficar na cómoda.
Ela está cá sempre, a alma. Não adianta fechar a janela, nem pôr perfume no quarto. Hei de senti-la a esturricar e ainda achar piada a isso.
No outro dia, acordei e abri os olhos. Quando me cansar, logo os fecho.
A preguiça é mais que muita e a paciência menos que pouca, por isso é sempre mais fácil ser uma cabra louca.
O fácil é uma merda, e no entanto, toda a gente o quer.
Deixaram de existir coisas difíceis. É só apanhar um autocarro, ter 20 euros na carteira, mortalhas, bilhetes do metro e um maço. Portanto, quero o fácil, como segunda opção e finjo que faço de primeira.
Acho que Deus deu boca a mudos que falam pelos cotovelos e olhos a quem já morreu demasiadas vezes.